Êxodo

ÊXODO (2)

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Mensagem Chave

Depois de quase quatro séculos no Egito, o livro de Êxodo retrata a continuação da história do povo escolhido de Deus, a nação de Israel, e descreve a Libertação deles do Egito e o desenvolvimento deles como uma nação, de fato, uma teocracia divina.  Descreve o nascimento, história e o chamado de Moisés por Deus para conduzir o povo para fora do Egito e conduzi-los à terra de Canaã.  Através do cordeiro da Páscoa, a preservação dos primogênitos, junto com os milagres das dez pragas e o cruzamento do Mar Vermelho, Deus mostrou para o povo que Ele não apenas era mais poderoso do qualquer Faraó egípcio, mas era o Senhor soberano.  Yahweh, o Deus da redenção e revelação.

Uma vez que o povo tinha atravessado o Mar Vermelho e tinha chegado ao deserto, Deus lhes dá a sua Lei integra e declara que eles eram uma possessão eterna e viriam a ser um reino de sacerdotes, uma nação santa como um testemunho para as nações (Êx.19:4-7).  Esta lei santa, inclusive os Dez Mandamentos, demonstrando a santidade de Deus, lhes ensinou como amar a Deus e um ao outro. Mas no processo, demonstrou também como eles eram incapazes de estarem perfeitos na presença deste Deus santo, e constataram a necessidade de um meio de acesso a Deus - isto foi providenciado através do Tabernáculo, dos sacrifícios e do sacerdócio levítico.

Cristologia em Êxodo

Porquanto no livro do Êxodo não temos nenhuma profecia direta de Cristo, todavia há vários tipos do Salvador:

- em muitas formas, Moisés é um tipo de Cristo.  Em Det. 18:15 vemos que Moisés, como um profeta se antecipa ao Cristo.  Ambos são princípes-redentores que quase foram mortos na infância, renunciaram o poder deles para servir a outros, e funcionaram como mediadores, legisladores e libertadores.;

- a Páscoa é um tipo muito específico de Cristo, o Cordeiro sem pecado de Deus (João 1:29,36; I Cor.5:7);

- as sete festas em que cada uma retrata algum aspecto do Salvador;

- [e em Êxodo que Paulo faz a conexão com o batismo, e mostra a nossa identificação com Cristo na sua morte e ressurreição ( I Cor.10:1-2; Rom. 6:2-3);

- o Maná e a Água da rocha são ambos retratados como quadros de Cristo (João 6:31-35, 48-63; I Cor. 10:3-4);

- o Tabernáculo aponta para o Salvador em cada um de seus detalhes: material, cores, mobília, arranjo, bem como nas ofertas e sacrifícios ali realizados (Heb.9:1-10:18);

- o Sumo-Sacerdócio tipifica a pessoa e ministério de Cristo de modo bem claro (Heb. 4:14-16; 9:11-12, 24-28).

Esboço do Livro

Êxodo se divide facilmente em duas partes - Redenção e Revelação

Redenção do Egito (1-18)

Em escravidão / sujeição (1-12)

Livres da escravidão / Redenção por sangue e poder (12-14)

Viajando ao Sinai / Educação (15-18)

Revelação de Deus (19-40)

Dando a Lei (19-24)

A Instituição do Tabernáculo (25-31)

Quebrando a Lei (32-34)

A Construção do Tabernáculo (35-40)

Rev. Ivan Pereira Guedes

Ao final de Gênesis eram 70 pessoas que subiam ao Egito,  a família de Israel (Êx.1:5).  No Êxodo, depois de 430m anos, eram aproximadamente 3 milhões de pessoas; haviam se constituído em um Povo ... o Povo de Deus, que estava escravizados pelos Egípcios (Êx.1 – 12:40, Num.1:46)

Êxodo é um livro de redenção. O redentor Jeová não somente livra a seu povo da servidão egípcia mediante seu poder manifesto nas pragas, mas também o redime por sangue, simbolizado no cordeiro pascoal.” HOFF, PAUL.  Ibidim, p.105.  Gênesis relata o fracasso do ser humano ante todas as provas e circunstâncias – Adão, Eva, o Dilúvio, Babel ... Êxodo é o emocionante relato de Deus que se apressa a resgatar o ser humano; porém, em seu devido tempo ... tardo 430 anos.  É um paralelo com as nossas vidas, da forma como fomos libertados de nosso “Faraó”, de nossos vícios ou pecado, de nossa situação angustiosa, familiar, econômica, social ou de enfermidade.  Gênesis inicia com a Criação e termina com um caixão ... Êxodo começa em meio a escuridão da escravidão e termina com a Glória de Deus, com as colunas de nuvem e fogo (Êx.40).

 

terça 27 outubro 2009 12:15 , em Êxodo


ÊXODO – AS PRAGAS NO EGITO

ÊXODO – AS PRAGAS NO EGITO

Quando nos referimos às pragas[1] manifestadas por Deus contra os egípcios é preciso termos em mente que o propósito primário não é impactar os egípcios, mas sim, demonstrar claramente aos israelitas[2] que o Deus que estava tirando-os do Egito não apenas era o maior, mas acima de tudo, o único Deus verdadeiro e Soberano sobre todos e tudo que por ele mesmo foi trazido à existência (cf. o livro de Gênesis).

Assim sendo, cada praga se constituiu em um desafio aos deuses egípcios e uma censura à idolatria (lição que os israelitas aprenderão apenas depois do cativeiro babilônico). Os egípcios prestavam culto às forças da natureza tais como o rio Nilo, o Sol, a Luz, a Terra, o touro e muitos outros animais. A cada praga manifestada as divindades egípcias ficaram em evidente demonstração de sua impotência perante o Senhor, não podendo proteger aos egípcios nem intervir a favor de ninguém.  A ordem das pragas é a seguinte, conforme Hoff:[3]

1) A água do Nilo converteu-se em sangue (7:14-25).  Foi um golpe contra o deus Hapi, o deus protetor das inundações do Rio Nilo. O Rio Nilo era considerado um deus e o deus hapi intervia junto o deus Nilo nas inundações;

2) A terra ficou infestada de rãs (8:1-15).  Os egípcios relacionavam as rãs com a deusa da fertilidade Hapi. Todos que queriam a fertilidade invocavam tal divindade.

3) A praga dos piolhos (talvez mosquitos) (8:16-19).  O pó da terra considerado sagrado no Egito converteu-se em insetos muito importunadores; Os sacerdotes egípcios Curavam as pessoas usando o pó sagrado da terra do Egito. Esse pó considerado sagrado agora causava grandes feridas aos egípcios. Era uma profanação aos seus deuses. Devido a essa praga os sacerdotes egípcios ficaram impossibilitados de cumprirem seus rituais. 

4) Enormes enxames de moscas encheram o Egito (8:20-32).  Os egípcios tinham em deus chamado Belzebu, que na crença deles era poderoso para afugentar moscas.

5) Morreu o gado (9:1-7). O deus Amom adorado em todo o Egito era simbolizado em forma de um carneiro, considerado um animal sagrado.  No Baixo Egito eram adoradas diversas divindades cujas formas eram de carneiro, bode ou de touro;

6) As úlceras (9.8-12). Era um duro golpe contra o deus Tifon. Na crença deles essa divindade protegia os egípcios contra qualquer ferida que fosse causada por qualquer coisa. Os sacerdotes invocavam a Tifon e as cinzas do altar dele eram jogadas em todos os doentes. Agora, os próprios sacerdotes foram os primeiros a serem infectados. 7) A tempestade de trovões, raios e saraiva devastou a vegetação, destruiu as colheitas de cevada e de linho e matou os animais do Egito (9:13-35).  Este tipo de tempestade era quase desconhecido no Egito.  O termo “trovão” em hebraico significa literalmente “vozes de Deus” e aqui se insinua que Deus falava em juízo.  Os egípcios que escutaram a advertência misericordiosa de Deus, salvaram seu gado (9:20);

8) A praga dos gafanhotos (10.1-20) trazida por um vento oriental consumiu a vegetação que havia sobrado da tempestade de saraiva. Os deuses Ísis e Seráfis foram impotentes, eles que supostamente protegiam o Egito dos gafanhotos;

9) As densas trevas (10:21-29). A escuridão que caiu sobre o país, excetuando a terra de Gósen, onde Israel habitava, foi um grande golpe contra todos os deuses, especialmente contra , o deus solar.  As luminares celestes, objetos de culto, eram incapazes de penetrar a densa escuridão.  Foi um golpe direto contra o próprio Faraó, suposto filho do Sol;

10) A morte dos primogênitos (cap. 11 e 12:29-36). O Egito estava completamente arruinado (Êxodo 10.7). Agora, passado cerca de um ano desde a primeira praga, vem o golpe mais duro e terrível. “Egito havia oprimido o primogênito do Senhor e agora eles próprios sofriam a perda de todos os seus primogênitos.” Osíris, a divindade de Faraó; o doador da vida, nada pode fazer para proteger os primogênitos dos egípcios. 

Fenômenos Naturais ou Sobrenaturais

Há muita resistência por parte dos chamados anti-sobrenaturalistas em aceitar as chamadas pragas do Egito como sendo manifestações sobrenaturais do poder de Deus.  Eles preferem interpretá-las como sendo fenômenos naturais de causa e efeito associados ao ciclo regular das cheias do rio Nilo. Eles atribuem ao conhecimento fenomenológico  do autor que tinha uma cosmovisão “pré-cientifica”. Em suma, estes interpretes naturalistas consideram a narração da praga um artifício literário e uma tradição litúrgica.

Todavia, é impossível ajustar estes conceitos ao aspecto instantâneo da seqüência das pragas no momento imediato da ordem proferida por Moisés e Arão (cf. Ex 8.16,17). Outro aspecto que dificulta a posição acima é a resposta que inicialmente os magos egípcios dão atos de Moisés (Ex 7.22; 8.18,19). E finalmente, o  fato de que enquanto as pragas aconteciam em todo o território egípcio, a terra de Gósem onde os israelitas estavam ficam completamente livre de cada uma das pragas.

Rev. Ivan Pereira Guedes

 

 



[1] Uma das palavras hebraicas traduzida por praga no livro de Êxodo significa dar “golpes ou ferir”. Outras duas palavras descrevem as pragas como sinais e juízos. Veja vídeo sobre o assunto: http://www.videos.es/reproductor/202xodoasdezpragasdemois233snoegito-primeiraparte-(BDzbF5VBGa4

[2] O texto das pragas em si tem um efeito mais restrito. Ele foi escrito para transmitir um conhecimento de Deus para as futuras gerações de israelitas (10:2). A geração contemporânea é conclamada pelos sinais / maravilhas para responder em obediência, fé e esperança (12:28, 14:31), mas Moisés disse que a história deveria ser transmitida para que as gerações futuras de maneira que elas também pudessem responder a Deus, da mesma forma (Rm 15.4). Os escritores bíblicos posteriores também viram os sinais como uma chamada de resposta (Js 24.17; Ne 9.17; Sl 78).

[3] HOFF, PAUL.  Ibidim, pp.113-114. O número de dez pragas provavelmente trás a idéia de completo e/ou terminado, isto é, por meio destas pragas o Senhor havia demonstrado a grandeza de seu poder de tal maneira que os egípcios não podiam alegar desculpa alguma. 

 

quinta 15 outubro 2009 19:27 , em Êxodo


ÊXODO (1)

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O Livro da Redenção

Autor: De acordo com a tradição judaico-cristã, Moisés escreveu Êxodo sob a ordem de Deus em associação com a experiência de aliança de Israel com Yahweh no Sinai (cf. 17.14; 24.4; 34.27)  

Data: O livro abrange um período relativamente pequeno de tempo, 85 anos, aproximadamente. Todavia, há uma ampla discussão sobre em que época o êxodo ocorreu e dentro do nosso limitado espaço citamos apenas as duas linhas mais coerentes e defendidas pelos estudiosos:

a) A data mais antiga [1446-1437]: Com base nos reinados dos faraós Tutmósis III (1504-1450) como sendo o responsável pelo período de forte opressão sobre os israelitas e Amenófis II (1450-1425) em cujo reinado Moisés lidera a saída deles do Egito. Idade de Bronze Tardio da história do Antigo Oriente Médio.

b) A data mais recente [1350-1225]: Entendem que o período de opressão ocorre durante os reinados de Ramessés I (1320-1318) e Seti I (1318-1304) e a saída liderada por Moisés ocorre durante o reinado de Ramessés II (1304-1237). Transisção entre a Idade do Bronze e a Idade do Ferro Antigo no Antigo Oriente Médio.

Nome do livro: “Êxodo é uma forma latina derivada do êxodo grego, o nome dado ao livro pelos tradutores da Septuaginta (LXX).   A palavra significa “saída”, “partida”.  E este nome foi dado porque o livro narra o grande evento da história de Israel: a saída do povo de Deus do Egito.

Tema: Vários temas prevalecem em Êxodo: 1) redenção como se vê na Páscoa, e 2) libertação da escravidão do Egito como se vê no êxodo da saída do Egito e a passagem do Mar Vermelho; 3) A instituição de Israel como posse especial de Deus entre os povos.

Propósito: Temos um propósito histórico que visa preservar os acontecimentos que explicam a evolução dos israelitas de escravos do Egito e sua libertação e presença no deserto do Sinai. Também haverá de fazer um link entre as histórias patriarcais (Gênesis) e a história posterior quando de seu estabelecimento em Canaã.

Há também um propósito teológico muito importante que é a auto-revelação de Deus ao seu povo. Deus não apenas os liberta da opressão egípcias, mas revela-se de forma pessoal – o nome Yahweh.

Podemos ver também um propósito didático ou pedagógico do livro pois nele temos o ensino que devem orientar o relacionamento de Yahweh com seu povo Israel. É nos termos de obediência ou desobediência da Aliança estabelecidas no Monte Sinai, é que a nação israelita cumprira seu destino entre todas as demais nações (19.5,6).

Palavra Chave: “redimir” “resgatar” usadas nove vezes (6:6; 13:13; 15:13;  21:8; 34:20).

Capítulos Chaves: Os capítulos 12-14 registram a redenção de Israel da escravidão, como realização das promessas de Deus; libertos da escravidão através do sangue (o cordeiro da Páscoa) e pelo poder de Deus (a divisão do Mar Vermelho).

 Versículos Chaves: 6:6 “Então dizei aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, e vos tirei de debaixo das cargas dos egípcios, vos livrarei da sua servidão e vos resgatarei com braço estendido e com grande julgamento”, (veja também 20:2).  19:5-6 “Agora pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes o meu concerto, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos,  porque toda a terra é minha; e vós sereis um reino sacerdotal e o povo santo.  Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel.”

Personagens Importantes: Moisés., Arão, Miriã, Faraó.

Rev. Ivan Pereira Guedes



Veja ampla exposição de autoria do Pentateuco em: http://reflexaobiblicavt.spaceblog.com.br/390297/PENTATEUCO-AUTORIA/

Você encontrara os argumentos destas duas posições em forma bem didática em Panorama do Antigo Testamento, Andrew E. Hill & J. H. Walton, ed. Vida, 2006, pp. 95-96

Na Bíblica Hebraica o livro é denominado de “twmv” que se pronuncia “shemót” e significa “e estes são os nomes”, que são as palavras iniciais do livro. 

quinta 15 outubro 2009 15:27 , em Êxodo



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