O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

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O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO 

O termo “cânon” é derivado da palavra grega “jamym”, que significa “pedaço de madeira comprido, régua de carpinteiro, regra, tipo, molde, princípio”.  No que se refere à literatura bíblica, cânon indica aquelas obras escritas que se conformam com a regra ou padrão da inspiração e autoridade divina.É certo que Deus teve suficiente razões para estabelecer um Cânon do Velho Testamento às pessoas que viveram antes da Vinda do Senhor Jesus Cristo.  Abaixo mencionamos algumas destas razões:

- Aqueles crentes puderam Ter uma revelação completa de Deus em seu próprio tempo.  Isto foi fundamental para que eles tomassem conhecimento do Evangelho antes do tempo da Cruz e que compreendessem o plano Redentor e Gracioso de Deus.

- Aqueles crentes puderam Ter a Palavra Escrita de Deus para viver por ela.

- Esta Palavra Escrita pode ser preservada de corrupção e destruição. 

Assim, um Cânon pode ser estabelecido e claramente diferenciado de outros escritos que surgiram e que não possuíam o selo da inspiração divina.

O conteúdo do Cânon Protestante é equivalente ao conteúdo do Tanak. O Cânon Católico Romano está baseado na Septuaginta ou Versão dos Setenta (LXX) e na tradução da Vulgata Latina, agregando mais quatorze livros, que eles classificam como Deutero-canônico (segundo cânon), mas que os Protestantes denominam de Apócrifos (literalmente - livros escondidos). Portanto, em relação à Bíblia Hebraica, os judeus aceitavam como canônicos apenas vinte e quatro livros, e que na nossa versão tornam-se trinta e nove, conforme a tabela em (http://reflexaobiblicavt.spaceblog.com.br/365669/CANON-DO-ANTIGO-TESTAMENTO-HEBREU-E-CRISTAO/ ) , porque a disposição ou organização destes livros, neste caso, segue a Septuaginta.

            Diante destes fatos: Qual cânon deveríamos utilizar? O debate nunca cessará. Mas um interessante argumento, mas não infalível, é fundamentado em Mateus 23:35. Em um debate com os Fariseus, Jesus disse que eles eram responsáveis pelas mortes de todos os profetas, desde Abel (Gen. 4) até Zacarias, filho do sacerdote Joiada  (2 Cron. 24:20).  Estava Jesus pensando cronologicamente? Não, pois Urias, o profeta, foi morto depois do tempo de Zacarias (conforme Jer. 26:23). Jesus estava pensando canonicamente? Possivelmente, pois Abel foi o primeiro mártir na Bíblia e Zacarias foi o último profeta a ser martirizado, conforme registrado em 2 Crônicas - que é freqüentemente o último livro na Bíblia Hebraica. Assim sendo, Jesus utiliza o cânon mais curto, hebreu, e não o cânon mais longo, grego, onde 2 Crônicas é colocado antes do livro de Jeremias.

Rev. Ivan Pereira Guedes



Embora o termo “Cânon” não tenha sido aplicado aos livros do Velho Testamento até o quarto século A.C., o conceito de canonicidade era muito mais antigo.

 “É dito que um livro é de autoridade canônica quando tem o direito de tomar um lugar com os outros livros que contêm uma revelação Divina.  Tal direito não surge de qualquer autoridade eclesiástica, mas da evidência da autoria inspirada do livro.  Os canônicos (inspirados) livros do Velho e Novo Testamentos, é uma regra completa, e a única regra de fé e prática.  Eles contém a revelação sobrenatural inteira de Deus para os homens.”  DICIONÁRIO DA BÌBLIA DE EASTON, verbete Cânon.   O Dr. Young expõe muito bem esta questão: “Pelo termo ‘escritos canônicos’ se entendem aqueles escritos que constituem a regra de fé e vida inspirada.  Os livros canônicos, em outras palavras, são aqueles livros reputados divinamente inspirados.  O critério da canonicidade de um livro, portanto, é sua divina inspiração.  Caso um livro tenha sido inspirado por Deus, é canônico, quer seja aceito ou não pelos homens como tal.  É Deus, e não o homem, Quem determina se um livro pertence ao cânon sagrado. ... Se o homem fosse capaz de, sozinho e em suas próprias forças, identificar exatamente a Palavra de Deus, então o homem teria conhecimento igual ao de Deus.  Mas, se Deus é verdadeiramente Deus, criador de todas as coisas e totalmente independente de tudo quanto criou, segue-se que somente Ele pode identificar aquilo que proferiu.  Só Ele é capaz de dizer: ‘Esta é Minha Palavra, enquanto que aquilo não procedeu de meus lábios’. ... O motivo por que tantas discussões sobre o problema do Cânon são insatisfatórias é que elas partem da suposição que o cânon é meramente uma lista de livros que o povo judaico veio a considerar divinos, pois tais discussões negligenciam quase completamente o aspecto teológico da questão.  Para o crente Cristão, todavia, a palavra ‘cânon’ se reveste de um sentido muito mais elevado; ... reconhece que as Escrituras são inspiradas porque elas são, e trazem em si mesmas as evidências de sua origem Divina.  ...  Por conseguinte, os homens reconhecem a Palavra de Deus simplesmente porque o próprio Deus lhes afirma qual seja a Sua Palavra.  Deus lhes dirigiu a Sua verdade e a identificou para os homens.  Portanto, é de grande importância, para a correta, compreensão do problema inteiro, a doutrina do testemunho interno do Espírito Santo.  ... o crente possui a convicção que as Escrituras são Palavra de Deus, e que essa convicção foi implantada na mente do crente pela Terceira Pessoa da Trindade.  Essa convicção tem sido possessão do povo de Deus desde que a primeira porção da palavra de Deus foi posta em forma escrita.  Não pode haver dúvidas que o verdadeiro Israel reconheceu imediatamente a revelação de Deus.” YOUNG, Edward J.  Introdução ao Antigo Testamento.  Vida Nova, São Paulo, 1964, pp.37-38.  Mas dentro de um processo seletivo para se diferenciar um escrito inspirado de outro não inspirado, ainda que a própria Bíblia não forneça qualquer conjunto de critérios específicos, alguns foram estabelecidos e observados: a) Autoria Profética – um livro canônico deve ter  sido escrito por um profeta (VT) ou apóstolo (NT) ou por alguém que teve um relacionamento especial e direto com eles (Marcos-Pedro; Lucas-Paulo).  Somente os que tinham testemunhado eventos ou tinham registrado testemunho de testemunhas oculares podia Ter seus escritos considerados como Escritura Sagrada.  b) Testemunho do Espírito – o testemunho interior do Espírito Santo é critério indispensável neste processo seletivo, uma vez que Ele intervém diretamente em todo o processo histórico da vida destes escritores bíblicos.  c) Aceitação – o critério final neste processo de canonização era a aceitação por parte dos crentes do VT e do NT de que estes escritos eram parte integrante do ensino de Deus para a vida de seu povo.  A idéia de um Cânon está na fundamentação teológica da fé cristã.  Sem estas palavras disponíveis não haveria nenhum exercício do Senhorio de Deus sobre nós, como povo dele, e não haveria nenhuma promessa segura de Deus o Salvador para nos salvar como pecadores.

Tanak é um acrônimo para as três partes do Cânon Judaico, (“T” para Torá, “lei/instrução”; “N” para Neviim, “os profetas”; e “K” para kethubim, “os escritos”).

Com a conquista do mundo por Alexandre o Grande (330 a.C.) o grego passou a ser uma língua internacional.  Os judeus dispersos desde os dias do exílio Babilônico e que não voltaram com Esdras e Neemias, concentraram-se em Alexandria, alcançando aproximadamente um milhão e meio de pessoas. Com o passar dos anos eles perderam  contato com a sua língua pátria o hebraico.  Para que não ficassem impossibilitados de lerem as Escrituras eles começaram, por volta do ano 250 a.C., uma tradução para o grego.  Iniciaram pelo Pentateuco e com os anos foram traduzindo todos os demais livros do Velho Testamento.  Esta versão grega tornou-se rapidamente popular entre os judeus dispersos e até mesmo utilizados por judeus na Palestina. Os tradutores da Septuaginta fizeram uma nova classificação dos livros do Antigo Testamento, usando o critério dos assuntos centrais de cada livro.  Os tradutores para o Português acompanharam a ordem da Septuaginta, como se vê em nossas Bíblias atuais.

Quando o latim se tornou a língua popular, Jerônimo traduziu o Tanak para o latim em aproximadamente 400 d.C. Porque o latim era o idioma comum das pessoas, esta tradução foi chamada de Vulgata (“meios vulgares; comum”). A Vulgata, porquanto manteve os livros apócrifos, se tornou a base para a Bíblia católica de hoje.

Isto ocorreu no Concílio de Trento realizado em 1546, até então estes livros ainda que fossem inseridos no conjunto dos livros canônicos, nunca haviam sido considerados como inspirados e conseqüentemente como fonte inerrante para fundamentação teológica ou doutrinária.  Eram aceitos apenas como livros que traziam informações de um período histórico entre o Velho e o Novo Testamento, onde Deus não havia se manifestado de forma profética em Israel, o chamado “400 anos de silêncio”. A palavra ‘apócrifo’ deriva do grego “apojquvod”, que a princípio significava algo oculto, secreto ou escondido, mas com o passar do tempo, passou a ter sentido de heresia ou de autenticidade duvidosa. A maioria dos livros apócrifos foram escritos por volta de 200 a.C. até 350 d.C., nos mais diversos locais: Palestina, Síria, Arábia, Egito.  Em contraste com os livros canônicos, os apócrifos não eram lidos nas sinagogas e depois nas igrejas, pois a grande maioria apresentavam ensinamentos heréticos e doutrinas falsas; tinham a finalidade de defender idéias de certos grupos isolados como os gnósticos, os docetas e os judaizantes. Quando a Igreja resolve definir o cânon das Sagradas Escrituras , a partir do séc. IV, pouco a pouco os apócrifos vão caindo no esquecimento até que a Igreja Católica Roma incorporou alguns deles [conforme tabela indicada].

antigo testamento, cânon

sexta 08 maio 2009 00:03 , em Cânon



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